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O maior problema do design no Brasil é que ele ainda não é regulamentado. Isso traz sérios problemas para os designers que estudam durante 4 anos uma faculdade de design gráfico (desenho industrial, etc) e precisam concorrer com publicitários, arquitetos, artistas e os pseudo-designers - ou micreiros, pessoas que fazem curso de photoshop durante 6 mêses ou menos e dizem ser “design” (sic). Mas por que os designers formados / em formação são os mais recomendados a se fazer um trabalho gráfico, embora geralmente sejam mais caros que os micreiros?



Os micreiros não possuem o conhecimento necessário para se fazer uma arte gráfica, como uma identidade visual, cartaz ou cartão-de-visita. Fazer coisas assim não basta apenas saber como operar um programa de computador (lógicamente, ajuda muito).

Para fazer-se uma identidade visual para uma empresa é preciso ter noção de como vai ser reproduzido a logo, como vai ser utilizado, aonde vai ser utilizado, qual o significado que ele deve repassar aos clientes, como que a logo pode ajudar a aumentar a venda do cliente (e por consequência, gerar lucro para ele). Para conseguir isso, é necessário haver contato com o cliente, fazer um briefing, gerar e apresentar amostras, explicar elas, defender elas e finalmente montar o manual de identidade corporativa.

O que um micreiro faz? Ele pega o nome da empresa, coloca em um tipo “legal” e faz uma “logomarca” (logomarca não existe!*) que fica “bacana”, cheio de efeitos de degradê e blur. O micreiro vai repassar essa logo ao cliente em formato JPEG ou até mesmo PSD, mas que provavelmente não vai poder ser redimensionando sem destruir a qualidade da imagem, além de não seguir formas de função e de Gestalt. Mas isso não diz nada ao cliente, pois o micreiro vai pedir R$ 50,00 pra fazer uma logo. E isso é muito mais significativo do que o designer que pede R$ 5.000,00 pelo mesmo trabalho (profissionalmente feito, lógico).

Mas já que o vocabulário “designerístico” (sim, essa palavra não existe) não condiz com o vocabulário do cliente, vamos utilizar de perguntas básicas:

1) Você contrataria uma pessoa que tivesse 35 anos, miopia de 15 graus nos dois olhos, sem óculos, que reprovou 12 vezes no teste de direção, tivesse uma ficha criminal com 16 multas por excesso de velocidade, estacionamento em local inapropriado, acidente e por dirigir embriagado para ser o motorista da sua empresa?

2) Você contrataria um jardineiro, sem o segundo grau completo, semi-analfabeto, com 18 anos de idade e 3 anos de jardinagem que tenha pais que nunca sequer chegaram a 6a série do ensino fundamental, para projetar e construir a casa que vai abrigar você e sua família?

3) Você contrataria uma pessoa uma pessoa que passou 2/3 de sua vida em um presídio por roubo a mão armada, sonegação de impostos, desvio de dinheiro e lavagem de dinheiro para ser o tesoureiro ou responsável pelo departamento financeiro da sua empresa?

4) Você contrataria um garoto de 16 anos que há vários mêses têm jogado um simulador de vôo no seu computador para ser o piloto do jatinho novo que sua empresa adquiriu?

Se sua resposta foi “não” em todas as perguntas acima, então por que você contrataria alguém que não tenha noção de design para cuidar da primeira coisa que alguém vai notar na sua empresa: o visual dela.

Afinal de contas, a primeira impressão é a que fica, certo? Então fazer uma má primeira impressão é lógicamente inviável.

Você é micreiro? Defenda-se! Estamos aberto a discussões!

* A palavra “logomarca” é redundante, além de inexistente. Como disse Alexandre Wollner (um dos fundadores da ESDI, primeira escola de design do Brasil), “Logo e marca são meramente a mesma coisa, portanto, banam do seu vocabulário

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Comentários:

thon disse:

Olá!

Bom este artigo!

não sou "Design" (pelas característica citada) nem tampouco "Micreiro" (pelas caracteristica citada), mas aprendi a mi virar e deixar o cliente satisfeito (rsrsrs).

Isso serve para aqueles que tem 06 meses de escolinha e se considera o melhor Design do mercado e termina por criar uma identidade visual que "coitada da Empresa".

Não sou Design, mas a 06 Anos trabalho com isso e sempre estudando!

Forte Abraço!

MahDesign disse:

Recebi isso que tem a ver com esse assunto:



Sobre designers e micreiros

por Lígia Fascioni


Vira e mexe, nas minhas palestras, alguém fatalmente acaba me perguntando como resolver o problema da concorrência desleal entre designers e micreiros. Os designers estudam, pesquisam, fazem tudo direitinho, mas acabam perdendo a vez para aquele pessoal que faz qualquer coisa por um preço bem baratinho. E o cliente, esse ser desprovido de qualquer juízo e bom senso, ignora toda a competência do dr. designer para contratar um mané qualquer que sabe mexer no Corel. Como resolver esse nó?

Bem, vamos tentar entender porque isso acontece. Partindo do princípio que o cliente não é totalmente burro e nem tem uma predileção especial por trabalhar com gente incompetente, eu diria que ele contrata o micreiro simplesmente porque não consegue perceber a diferença entre esse sujeito e um designer de verdade. Então, como de bobo o cliente não tem nada, ele faz como eu, você e toda a torcida do Flamengo numa situação dessas: contrata o mais barato.

Além disso, o micreiro tem outra vantagem: ele faz exatamente o que o cliente quer. Se o dono da padaria quiser uma marca gráfica toda cheia de degradês e efeitos especiais, o mané capricha e coloca em prática tudo o que sabe de Photoshop. Se o sócio do restaurante quer usar os desenhos da filha de 5 anos como marca d´água no folder do estabelecimento, não tem problema. Para o micreiro não tem crise, ele faz tudo na maior boa vontade (e por um preço bem baratinho, não se esqueça). O cara é tão boa gente, como competir com um tipo desses?

Boa parte dos designers resume sua pró-atividade fazendo cara de nojo e colocando a culpa no ignorante do cliente. Aha, eis a palavrinha-chave: ignorância. Sim, concordamos que o cliente merece esse adjetivo, mas ignorância não é crime. Ninguém tem obrigação de conhecer semiótica, teoria das cores, técnicas de composição, leis da Gestalt e o impacto disso tudo no trabalho que está sendo feito. Só o designer, é claro. E aí é que ele se diferencia do micreiro. O designer pode (e deve) explicar para o cliente, da maneira mais didática possível, porque é que usar 4 tipos diferentes de fontes tipográficas em um cartão de visitas pode não ser uma boa idéia. E tudo isso usando os termos certos, sem petulância e ar de enfado. O designer deve explicar também a interpretação semiótica de todos os elementos que ele colocou no projeto gráfico, justificando o porquê de cada coisa estar ali. Deve considerar que o cliente tem um olhar diferente do seu, e às vezes é possível combinar esses olhares numa solução interessante sem ofender seu senso estético. Deve saber defender muito bem o conceito de uma marca sem se sentir pessoalmente ofendido com perguntas ou questionamentos. Se o palpite do cliente é furado, explique para ele, sem esbravejar, o impacto que aquilo terá sobre a percepção do consumidor e como pode prejudicar o seu negócio. Enfim, o designer, além de saber muito e se comunicar bem, deve ser um grande negociador.

Ao documentar as reuniões, escrever um briefing bem feito, cumprir os prazos, primar pela pontualidade e pela qualidade nas apresentações, sempre entregar o que prometeu e explicar detalhadamente cada parte do seu trabalho, o designer estará com certeza se diferenciando do micreiro. Qualquer um da tocida do Flamengo consegue ver a diferença. O designer cobra mais porque sabe o que está fazendo, seu trabalho vai fazer diferença no negócio. Ele faz por merecer cada centavo.

Mas está cheio de designer com diploma que acerta tudo de boca, não explica seu trabalho direito, mal sabe contextualizar o que fez, não entende nada de teoria das cores e muito menos de semiótica, atrasa todas as entregas e senta com a perna aberta mascando chicletes falando "tipo" a cada três palavras. Comporta-se como um artista temperamental, tudo o que faz é na base da intuição. Método projetual ele desconhece, fez assim porque achava que ficaria legal. Esse sujeito fica ofendidíssimo ao ser confundido com um micreiro. Talvez o figura não saiba, mas ele realmente é um micreiro.

E tem micreiro (são poucos, é verdade) que anota tudo direitinho, faz contrato, estuda as opções, é pontual, tenta resolver as necessidades do cliente, lê vários livros sobre o assunto, sabe conceituar o que fez, cumpre sempre o que prometeu. Esse profissional acha que é um designer, e é mesmo.

Mais do que a formação acadêmica, a diferença entre o designer e o micreiro está na atitude profissional.

Além disso, não se pode ignorar a diversidade do mercado. Há clientes para micreiros e há clientes para designers. Tem lugar para todo mundo, sem crise. Já dizia um amigo meu que os competentes se reconhecem mutuamente. Eu concordo.

Lígia Fascioni | www.ligiafascioni.com.br









retirado: http://design.pop.com.br/blog/06/04/2008/s...eiros/#more-745


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